– quanto tempo, hein
você ainda lembra qual o motivo de ter feito sua inscrição aqui? eu lembro o de ter criado: fazer esses e-mails que não tem letras maiúsculas e, da maneira mais minimalista e informal possível, conversar com vocês.
caso não lembre o motivo, lá no final da lista tem como sair daqui.
infelizmente, queria fazer disso uma prisã… brincadeira, se for embora, tchau!
vou voltar. voltei. tô aqui. bora nessa.
– sobre clássicos
será que devemos amar os clássicos?
outro dia (já fez um tempo, na verdade) eu assisti cidadão kane com um grupo de amigos. tinha pra mim, e ainda tenho, que o filme é daqueles indispensáveis e que deve ser encarado com extrema seriedade. a questão é que eu não sou todo mundo. e, na ânsia de mostrar um clássico para as amizades, veio a decepção.
hoje o filme é motivo de piada nesse ciclo.
a festança organizada por orson welles no meio do filme é piada.
o nome do personagem jedediah também é piada. não tem uma vez que não falemos sobre o filme e não venha a pronúncia jocosa do nome: ‘jededáian’!
taí, fui encarar um clássico com a perfeição prévia que eu achava ter e levei na cara.
cidadão kane, facilmente um dos maiores filmes da história, lotado de técnicas sobre montagem e narrativa, fotografia e blocagem de cenas, virou uma comédia fora do meu controle e eu não sei lidar mais com relação a ele nesse grupo de amigos. meu rosebud!
como fazer, jovem phzin? aí que tá o segredo. não faz. deixa estar.
clássicos não servem para ser amados. o pedestal, nesse caso, o que deve receber são as técnicas e as inovações, mas o filme em si pra quem não tem o mesmo apego que alguns de nós, está correndo o mesmo risco de ser amaldiçoado que nem o novo filme do flash.
estou agora na vibração que, se eu amo um clássico por respeitá-lo tanto, problema meu. ou solução, depende do ponto de vista. vou guardar alguns clássicos pra mim ou apresentá-lo da maneira mais fria possível para a próxima audiência.
encouraçado potemkin que me aguarde.
até porque, pasmem, da mesma audiência alguns não gostaram de poderoso chefão 1, o filme que literalmente teve uma resposta para cada encruzilhada de minha vida. mas eu finjo que entendo e aceito. finjo que não fixo perplexo.
é isso: respeitemos os clássicos, mas não por eles, apesar deles. e escolha bem onde exibi-los.
algumas vezes penso que, se existisse um deus do cinema, ele falhou em tocar no coração de alguns. agora, o que eu gosto de filme velho e vejo de coração aberto não tá escrito. quer dizer, agora tá. ☺
– ano diferente
havia imaginado outra coisa desse começo de dois mil e vinte e três.
“vou ser extremamente produtivo, acordar cedo, fazer tudo acontecer antes do meio-dia e depois ir consumir todos os filmes do mundo!”
fiz listinha até (mentira, eu não faço listinha, faço planilha).
um filme por dia. um texto por dia. uma pedrada por texto.
errei!
começo do ano foi lentíssimo e de uma introspecção absurda. a psicóloga disse que era um ano para cuidar de mim. concordei em partes.
estava conversando com algumas editoras grandes pra publicar um livro.
que livro?
então, a ideia era pegar meus roteiros de casa do dragão 1, melhorá-los para voz escrita e não a voz dita, adicionar mais textos bacanas que dessem suporte ao que escrevi e –tome- temos um livro.
uma editora deu ok, mas 10% de capa é jededaia demais das ideias, neguei. outra disse que queria me publicar, mas não era bem isso. mas eu queria o ‘bem isso’. e assim fiz eu mesmo (eu e um time: moacir, lígia -a chefa-, dan dan e juvenow).
financiamento coletivo lançado e vai dando tudo certo, mas o papo não é sobre isso (mwahahahaha, foi só uma isca preu pedir pra vocês darem uma olhada no financiamento e quem sabe me deixar mais riiiicooo –mentira- o dinheiro é todo pro livro e pro próximo).
entrei, a partir disso e de janeiro, em um ciclo criativo muito grande.
meus textos são majoritariamente sobre as coisas (inclusive o livro da casa dos dragão da rede de televisão estadunidense eide-bi-ôu, hbo para os íntimos). na ânsia do sucesso desse financiamento, pensei: e se eu escrevesse mais?
veio um monte de tirinhas na minha cabeça (escrevi trinta e duas e um colega desenhista já está dando vida a elas).
veio a vontade de reeditar um conto antigo: feito.
veio uma meta estendida no financiamento coletivo, um conto meu e outro do moacir (que era pra ser editor, mas eu preferi como co-autor do rolê porque o cara é ninja!), fiz o conto.
do conto já surgiu outro conto e por aí está indo.
o ano vinte três do milênio dois depois de cristo tá assim.
entre um texto de dez mil caracteres e outro sobre the last of us tenho escrito dez mil caracteres sobre algo completamente meu. é muito bom. mas até quando?
ainda sou parasita da arte, e gosto! será que isso vai mudar um dia? sabe-se lá. às vezes é só mais uma crise dos trinta que já avança há vários anos. tomara que a dos quarenta chegue nessa toada.
– antes de ir embora
já escrevi quatro mil novecentos e cinquenta e cinco caracteres até a letra ‘i’ da palavra ‘escrevi’, o que dá mais ou menos dez minutos de leitura. então, se você chegou até aqui –palmas- és ninja.
sorrateiramente mereces o primeiro capítulo do meu livro sobre a série do dragão feita nos estados unidos da américa, que tá cheio de objetos voadores não identificados e mal sabem eles que é esse livro que tá voando no catarse, papai, seguuuuura!
quem sabe na próxima eu trago uma tirinha.
se me encontrar na rua, favor não cobrar!
até. paz.