Faz alguns anos que eu olho para “Star Wars: Starfighter” com desconfiança. Não uma desconfiança ruim. Uma desconfiança boa, daquelas de quem sente que tem caroço nesse angu.

Quando foi anunciado, “Starfighter” tinha cara de produção secundária, isolada, quase um projeto paralelo pra aproveitar o rosto de Ryan Gosling dentro de “Star Wars”. Só que, notícia após notícia, ele vai ganhando corpo. A estreia está marcada para 28 de maio de 2027, com direção de Shawn Levy, e quanto mais essa data se aproxima, mais o filme parece maior do que o estúdio deixava transparecer.

Será que a Lucasfilm se fingiu de morta de propósito?

Pode ser. Também pode ser que o engano seja meu e eles estejam desesperados pra fazer qualquer coisa render. Não sei… Só sei que não estou sozinho nesse radar. Northon Domingues, que tem um canal especialista em “Star Wars”, anda com a mesma desconfiança há um bom tempo.

Na New York Comic Con deste mês, a Lucasfilm anunciou um pacote enorme de publicações ligadas ao filme, cerca de dez lançamentos. Tem o livro de arte conceitual “The Art of Star Wars: Starfighter” (de Phil Szostak), um dicionário visual assinado por Pablo Hidalgo, a novelização expandida (por Delilah S. Dawson), uma coleção de livros infantis e juvenis e uma minissérie em quadrinhos da Marvel (por Marc Guggenheim), que funciona como prelúdio do filme.

É muita coisa, e fazia tempo que “Star Wars” não montava um pacote desse tamanho em volta de um filme.

A Disney não encomenda esse volume de conteúdo expandido à toa. Cada livro desses é uma aposta de que o público vai sair do cinema querendo mais daquele mundo. Ninguém faz isso com projeto secundário.

Ou seja, “Starfighter” deixou de ser o filme de Ryan Gosling perdido no meio de “Star Wars” pra virar outra coisa. Que coisa? Não sei. Outra…

Tudo isso vem na esteira dos planos de uma nova trilogia, e a confiança da Lucasfilm em “Starfighter” parece hoje maior até do que foi com “O Mandaloriano e Grogu”, que chegou aos cinemas de um jeito bem mais discreto do que eu previa.

Pode ser que maio de 2027 me desminta. Mesmo assim, a chance de “Starfighter” ser bem maior do que parece é grande, e eu sigo com o radar ligado e com a desconfiança boa de sempre.