Hoje revi “X-Men” e “X-Men 2”, de 2000 e 2003. Por quê? Não sei. Minha companheira inventou de ver depois que passei o almoço falando de como eram os quadrinhos. Saí dessa experiência com uma sensação que eu não esperava.

Eu sempre achei que preferia o segundo. Olhando com calma, ele é mesmo muito superior ao primeiro. O final do primeiro é um negócio tão tenebroso que, se eu fosse dono do streaming que tem ele, dava um jeito de a internet bugar bem na hora em que o time entra no jato, ou seja, na virada para o terceiro ato.

O segundo filme tem problemas, como tirar o Professor Xavier e o Ciclope, mas no geral é mais seguro do que quer contar, tem uma ação mais distribuída ao longo do filme, a abertura com o Noturno invadindo a Casa Branca é ‘aulas’ (inclusive, antecipa a célebre cena do Mercúrio ao som de Sweet Dreams), a cena da invasão da mansão continua linda, o Stryker é um vilão menos monotemático, enfim… É o filme de quem já sabe que deu certo e agora pode ir além.

Só que nessa reassistida foi o primeiro que me pegou. Me pegou justamente pelo que ele tem de mais artesanal, mais feito na raça… mais mambembe.

“X-Men 1” é um filme que não sabe direito se vai dar certo. Dá pra sentir isso em cada cena. O gênero vinha de “Batman & Robin”, de 1997, que tinha deixado filme de super-herói com cara de piada. Ninguém sabia se o público ia comprar um bando de mutante de uniforme preto. Tanto que ele não foi isso. Esse “X-Men” é do Wolverine, só disfarçado de filme dos X-Men. Então o filme vai devagar. Demora a começar, apresenta os personagens com calma, gasta tempo com conversa.

Aí que tá. Boas conversas.

Logo no primeiro diálogo entre Magneto e Charles, dá pra sentir o roteiro ganhando a tela através de dois grandes atores. Dois personagens brigando por visão de mundo. Um acredita que dá pra conviver. O outro já viu o que acontece quando um grupo é marcado e separado. O filme nem te pede para escolher um lado com facilidade. Tem um senador querendo registrar mutantes, tem medo, tem preconceito. É político sem precisar ficar o tempo todo anunciando isso.

Isso quase sumiu dos filmes de herói de hoje. Ainda tem. Mas, sei lá, cenas desse jeito, que estavam ali ganhando tempo porque não podia ter tanta ação, acho que ficam mais para a posteridade do que as lutinhas. Talvez por isso eu goste tanto da agilidade de “Capitão América: O Soldado Invernal”, que equilibra muito bem as duas coisas.

Apesar do terceiro ato de “X-Men 1”, dos dois foi o que mais ficou. Acho que é porque dá pra ver as costuras. Dá pra ver um filme tentando descobrir o que ele é enquanto acontece. O segundo filme tem a segurança de quem já ganhou. O primeiro, a coragem de quem ainda não sabia se ia jogar o jogo, imagina ganhar.

Esse assunto ainda vai virar vídeo no canal, mas vamos com mais calma. Por enquanto, fica o registro.